quarta-feira, 25 de abril de 2012

Bebê Monstro

Quando eu comecei a montar o quarto do Bernardo na gravidez, uma das coisas que mais me dava pânico eram as raras opções diferentes de decoração. Detesto tons pastéis, detesto fru-frus, detesto esses desenhos bobos de ursinho, etc. Fiquei doida quando encontrei uns adesivos de parede de monstros. Uns monstros fofos, super coloridos e descolados. Foi a primeira coisa que comprei pra ele. Daí, numa loja incrível em NY, achei uma parede inteira de monstros de pelúcia, num estilo de tecido como se já fossem velhos. Enlouqueci. Queria todos! Mas sou pobre centrada e comprei um só! Imaginava que o Bernardo adotaria ele como objeto de transição, e que ia ficar fofo demais arrastando aquele bichinho esquisito por todos os cantos, mas não foi o caso.
Enfim, minha fixação por monstros permanece. E eis que semana passada Bernardo foi gentilmente apelidado de 'Bebê Monstro' por um amigo do Theo, meu enteado. A denominação é fruto do superpoder do pequeno em contaminar seis pessoas com uma virose de pôr as tripas pra fora. Semana passada minha casa era escatologia pura! Ele ficou ruim e atacou a mim, ao irmão, à avó, um casal de amigos e esse amigo do Theo. "Como pode um bebê desse tamanho fazer isso com todo mundo??", era o que ele perguntava, indignado!

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E monstro lembra medo, que lembra sombra. E eu achei que isso já era motivo suficiente, pra fazer este link chumbrega entre os assuntos pra comentar que o Bernardo descobriu a sombra. Coisa mais engraçada de se ver. Ele ri e aponta quando eu faço os movimentos e ele vê ela se mexendo na parede. Mas morre de medo quando chega perto dela. E não é assim na vida? Essa é só a primeira sombra que mete medo e dá angústia de encarar. Existem outros níveis bem mais difíceis pela frente. E eu fico aqui pensando que de longe pode ser até engraçado, mas ir lá no fundo, chegar bem perto e ainda se divertir com suas sombras, não é bem uma brincadeira de criança, é coisa pra profissional...
Bora pra terapia, né Renata!?


quinta-feira, 12 de abril de 2012

#infancialivredeconsumismo (um comentário que virou post)

Um comentário que fiz sobre a discussão de uma infância livre de consumismo lá no Super Duper ficou tão longo, que resolvi também transformá-lo em post e aderir à campanha para debater o assunto. Então, aqui vão algumas reflexões sobre o tema. Eu comecei discordando com o mito de que "o marketing cria necessidades". Numa das primeiras aulas da minha pós em Comunicação com o Mercado, esse tabu foi desvendado. E falar sobre isso é extremamente pertinente neste debate.

O marketing não cria necessidades. A necessidade já existe na gente. O marketing apenas se aproveita disso. E se aproveita muito bem, diga-se. Por exemplo, se existem tantos itens para compor um enxoval de um bebê, é porque também existe nas mães a vontade de se cercar de todas as ferramentas disponíveis para garantir a saúde, segurança e bem-estar de seus bebês.
Se os itens são necessários, imprescindíveis ou superficiais, são as mães que decidirão. Muitas vezes é pra aplacar a insegurança ou mesmo a falta de conhecimento sobre a rotina com um bebê (natural dessa fase da vida) que muitas vêem numa "pinça para pegar mamadeiras" ou no "termômetro para banheiras", o must have da estação! Muitos objetos estão tão instituídos na cultura que o fato de optar por não comprar pode ser visto como desleixo e até indiciar que a gente é uma péssima mãe. Que é tudo que a gente não quer, né? Mas esses medos são nossos, não foi o marketing que criou.  

Então, lá vamos nós acabar com eles, comprando.  Quem nunca se sentiu assim? As necessidades, (como precisar de sapatos para andar por aí, protegendo seus pés do contato direto com o chão), existem e sempre existirão. E a propaganda "saudável" vai te dar opções de onde encontrar esse item. Mas o desejo de possuir sapatos para combinar com a calça, com a saia, com a bermuda, para o inverno, para o verão, etc, é nosso. Também é nosso o direito de render-se a todas as opções. E é justamente disso que sobrevive a propaganda nociva (?): dessa insatisfação, dessa tentativa impossível de saciar toda potencialidade do nosso desejo. E desejar não tem fim.
Agora indo para o consumismo infantil: a diferença para adultos é que temos (ou deveríamos ter!) todo o aparato cognitivo, racional e emocional para identificar em nós o que é desejo e o que é necessidade. Conseguimos (ou tentamos, ou nos rendemos mesmo!) racionalizar a propaganda, enquanto os pequenos simplesmente não conseguem distinguir entre desejo e necessidade. Eles querem tudo. Eles precisam de tudo (com exceção do Theo, que só precisa de meias e cuecas). Eles são desejos pulsantes à flor da pele. E querem já.

Em consequencia a esses pensamentos, a tendência seria eu dizer que é de exclusiva responsabilidade dos pais o contato das crianças com a propaganda, com a TV, principalmente. Mas acho que é um pensamento simplista. Acho que chegamos a tal ponto do "capitalismo selvagem" que precisamos de um "interventor" externo para regular a propaganda infantil, pois ela está em toda parte. Até mesmo em lugares que deveriam ser neutros, como as escolas. E, assim, não há pai que consiga dar conta de impedir o contato com seus filhos. Por isso, sou da opinião de que a propaganda sobre produtos e serviços dirigidos às crianças podem existir, mas devem se dirigir aos pais. Nunca às crianças. Quer vender a iogurtinho funcional, a sandalinha da moda, o brinquedo mil e uma utilidades? Ok, mas venha falar comigo. Não com o meu filho. Assim, ficariam proibidas as propagandas em canais com programação infantil, por exemplo. E que se criem penalidades à altura das consequencias deste tipo de disseminação de informação. E, principalmente, que se façam cumprir essas penalidades.
Enfim, é um debate necessário e urgente, sim. Pra mim, em linhas gerais, são as crianças que devem ser preservadas. E o foco da discussão não deve sair disso. A propaganda achará outros meios de sobreviver, que não à custa dos nossos filhos. Há muito desejo e muita necessidade dando sopa por aí!


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Diálogos infantis*

*Os diálogos aconteceram na última semana e alguns nomes foram trocados para preservar a credibilidade dos adultos.

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Um diálogo infantil que dá uma luz para o controle de natalidade das futuras gerações :

Lara (3 anos): Quando eu crescer eu vou ter filhos!

Tio chato: Ah é?! Como vão chamar?

Lara (3 anos) cita dois nomes de meninas.

Tio chato: Ué, você não vai ter um menino pra se chamar Silvio em minha homenagem?

Lara (3 anos), indignada: Não, né! (só faltou dizer: seu imbecil!). No carro só cabem duas cadeirinhas!

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Um diálogo infantil que arrasa com a maturidade adulta.

Theo (12): Pai, não vou mais precisar economizar a mesada para ir pro acampamento!

O pai: Sério! Por quê?

Theo (12):  Minha vó vai me dar de presente.

O pai: Ai que bom, Theo. E o que você vai fazer com o dinheiro.
Theo (12): Vou comprar meias e cuecas, que estou PRECISANDO.

Alguém conhece um outro alguém de 12 anos que PRECISA de meias e cuecas?! 12 anos + Precisa + Meias e Cuecas= Não Orna! Penso se não seria o caso de impedí-lo. Fora esse absurdo, acho que ele é o primeiro exemplar do gênero masculino que compra esses itens proativamente! É praticamente um benchmark da categoria. Por isso que eu o adoro!


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Um diálogo consciente das figuras de linguagem e do processo de desenvolvimento da fala, com toda a experiência dos seis anos de idade!

Flávia(6 anos) ao conhecer o Bernardo, diz: own que fofo.  Ele já fala ?
Eu: Ele fala poucas coisas, é muito pequeno ainda.


Flávia(6 anos): ele só fala aquelas palavras que são mais parecidas com os sons, né?


Eu, estarrecida, jurei que ela iria dizer: sabe onomatopéia, né?!

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Essas crianças de hoje em dia nascem com software atualizado e não disponível para versões mais antigas...não é possível!  






quarta-feira, 4 de abril de 2012

Paternidade Ativa - Agora é que são Eles!

Eu sou daquelas que acredita que as mulheres ainda estão em desvantagem em relação aos homens em muitas áreas da vida. Não só pelas estatísticas, que provam que profissionalmente ainda ganhamos menos, mesmo quando estamos no mesmo cargo. Mas também pela “pesquisa de campo” , digamos assim, com que o mundo materno me brinda, e no qual a ajuda deles sempre arranca suspiros de admiração, enquanto para nós é sempre mera obrigação.
Quem é que já viu um pai faltar ao trabalho porque o filho está doente? Pelo que eu vejo, a tendência é a responsabilidade recair sobre a mãe. Afinal, segundo as pesquisas ela ganha menos mesmo...se perder o emprego a recolocação é mais fácil! Fora, que é socialmente mais aceito, né? Mas também, vamos admitir que não deve ser fácil pra eles assumirem o papel de pai mais presente, se ocupando de tarefas até então "femininas". Acho que eles estão vivenciando os mesmos obstáculos de se lançar num terreno desconhecido, que as mulheres experimentaram quando resolveram entrar de vez no mercado de trabalho. Tem preconceito. Tem medo. Tem insegurança. Tem piada. Tem culpa. Mas também tem satisfação. Tem sensação de pertencimento. Tem prazer. Tem completude. Tem realização.
E essa semana eu vi indícios do que acredito ser uma nova realidade paterna. Uma paternidade ativa. E me surpreendi horrores. Me deu um orgulho assim...maternal!

Aconteceu o seguinte:
Fui procurar dois executivos de uma multinacional para darem entrevistas para uma emissora de TV. Um deles, diretor renomado, não podia, pois a mulher estava doente e ele tinha que ficar com ela e com as filhas! Pasmei! Pode repetir, pois não entendi!? Era isso mesmo: NÃO PODIA, POIS IRIA FICAR COM A FAMÍLIA! Quase chorei de emoção ao ouvir uma frase assim, tão feminina, e que normalmente soa como ofensa no mercado corporativo. Ok, aproveite, era o que tinha vontade de dizer! E melhoras pra sua esposa.

Vamos, então, ao executivo 2! Esse, um gerente atribulado, que sempre topa todas e certamente aceitaria o meu pedido. E, sim, aceitaria, não fosse um detalhe: a filha, uma jovem entrando na faculdade. Eles são do interior e ela está morando em São Paulo faz pouco tempo, então precisava do pai pra levá-la para sei lá onde. E como ir com os filhos para qualquer lugar é sempre melhor do que muitas outras tarefas, incluindo dar entrevista para uma emissora de TV, lá foi ele ser feliz. Estava declinado o meu pedido profissional! Então, ok. Eu, enternecida, tive vontade de desejar boa sorte.
Enfim, como eles eram os único porta-vozes capazes de comentar o tema da entrevista em questão, não houve entrevista. Simples assim.

E pra fechar a semana, tive que solicitar a participação de um outro diretor top top para uma outra entrevista, essa por telefone. Depois de muitas ligações na caixa postal, consigo falar com ele. Pedindo mil desculpas ele diz que não pode participar essa semana, pois nasceu o segundo filho e ele precisava ajudar a esposa e ficar em casa cuidando do mais velho, que tem dois anos e dá um trabalhão. Fala se não é pra ter fé na vida? Era apenas uma entrevista por telefone, que iria durar uns 20 minutos. E ele recusou terminantemente. Não dá vontade de abraçar? 

É por essas que acho que eles também começam a perceber que muitas vezes não há salário, carreira ou sucesso profissional que pague 20 minutos com a família! E consequentemente as empresas também começam a flexibilizar nas exigências. E se isso começar a acontecer em larga escala a tendência é ninguém ser visto com maus olhos profissionalmente. Nem mulheres, nem homens. Assim como a gente, eles também tem o direito de escolher viver de tudo um pouco: trabalho, filhos, casa!

Por uma vida mais equilibrada é o meu lema! Tomara que mais empresas adotem!



domingo, 1 de abril de 2012

Afinal, a palavra final é sempre delas!

Eu: Vó, vocês vêm almoçar em casa no final de semana?
Ela: Vou ver com seu avô e te falo, tá? Me liga amanhã.
Eu: Ok, te ligo!
 
E quando o amanhã chegou:
Eu: Oi vó. E aí, falou com o vô? Vocês vêm almoçar em casa?
Ela: Falei sim, mas ele não quer ir. Mas eu quero. Então, vou conquistar ele e nós vamos, sim. Pode confirmar.
E assim seguimos, de geração em geração, fazendo perguntas retóricas e travestindo de ternura o controle da relação (com o perdão da rima)!

Então, eles vieram: