Deve ser porque eu sou mãe recente que tenho a sensação que a maternidade é o novo preto. Me impressiona a quantidade de programas sobre o tema. Acho que foi a Super Nanny que abriu as portas da esperança pra esse monte de gente louca de vontade de abocanhar sua fatia no mercado. Entre programas chocantes e deliciosos vou citar dois, que mais me marcaram muito recentemente.
No GNT tem o incrível e charmoso Quebra-Cabeça, apresentado pela Chris Nicklas . Acho que eu assisitiria, mesmo não sendo mãe. Mas esse comentário está totalmente contaminado pelos hormônios da maternidade, então, tem credibilidade zero! Enfim, a cada episódio ela apresenta um tema, contrapondo duas famílias que lidam com ele de formas diversas, sem maniqueísmo, nem caretice, nem obviedade. Mas o que mais me impressiona são as crianças que participam dele. Gente, quando eu era criança eu era só criança. Acho que só me lembro de me considerar um ser pensante lá pela pré-adolescência. Mas essas que participam do programa são PHD em infância! São articuladas, tem opinões sensatas, coerentes, são assim psicanalisadas. Mas ao mesmo tempo falam com toda a ternura e trejeitos de crianças. Não parecem anões que decoraram texto! É um extremo de fofura! Será que o Bernardo vai ser assim? As crianças de hoje são todas desse jeito? É a forma contemporânea de infância? #ficaadúvida! Impressionante.
Agora, tem um outro programa mais novo, que é o Grávidas e Peruas do Discovery Home and Health. Eu vou ter que descrever, desculpe. Ele se passa em NY e é apresentado por uma mulher que teve a grande sacada de criar produtos e serviços relacionados à maternidade para quem gosta (e pode!) rasgar dinheiro. Quando eu assisti, a apresentadora dava consultoria para um casal desesperado para escolher o MELHOR nome para o filho que iria nascer. Tinha que ser um nome forte, imponente, que indiciasse e de preferência, garantisse, a trajetória de sucesso do "herdeiro" (argh!). Eles falavam da criança como quem vai lançar um produto ou uma marca. E estavam dispostos a tudo. TUDO! Principalmente humilhar os espectadores classe média emergente e classe C em ascenção que são assim, digamos, o "target" do programa (olha eu aqui!). Focados nessa busca, primeiro contrataram os melhores especialistas em marcas, etimologia, nomes e o caráleo a quatro. O foco era pesquisar os nomes de mais impacto e aqueles homônimos de personagens de sucesso! Pagaram vários mil dólares pela lista de nomes de pessoas que atingiram a fama e o sucesso e, não satisfeitos, resolveram realizar um Focus Group. Para quem não sabe, a grosso modo, é um grupo de pesquisa muito realizado por empresas que querem tirar dúvidas sobre um assunto/produto, e convidam especialistas ou o público-alvo para testarem o potencial sucesso de suas ideias. E é caro. Muito caro!
Mesmo assim, não ficaram satisfeitos. E, muitos mil dólares depois, resolveram convocar os amigos mais próximos, todos muito bem-sucedidos, diga-se de passagem, para debaterem o que achavam da lista de nomes pré-selecionados para o mais novo membro do clã (argh!). E ninguém gostava dos nomes que eles gostavam. Rá! Fazendo a análise freudiana sem embasamento algum: gastaram fortunas (segundo o meu critério de fortuna, lógico! Dinheiro de pinga pra eles!) para que validassem uma escolha que eles já haviam feito, de forma que pudessem culpar alguém, caso o filho não tenha uma trajetória digna de capa da TIME! Mania de controle, a gente vê por aqui! No fim, colocaram o nome que mais gostavam desde o início, porque afinal, o que são alguns mil dólares, não é mesmo?!
Até hoje não me conformo! Fico pensando aqui se eu conseguiria gostar de programas assim se eu não fosse mãe?! Acho que não né?
M & M - Momentos Modernos
Há 9 horas


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