Faz um tempo, eu participei de uma pesquisa de grupo sobre cursos de pós-graduação da ESPM, com uns 10 participantes, sendo eu a única com quase 30. A maioria estava bem no início dos 20 e poucos anos...Uma das perguntas da mediadora foi: o que você visualiza para seu futuro. Me lembro de ter respondido, sem sombra de dúvida, que gostaria de encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional.
E fiquei bem surpresa quando o pessoal de 20 e poucos disparou num discurso ultra-ambicioso que envolvia ascensão profissional, muita determinação para completar cursos e pós-graduações, numa busca incessante para ser a futura capa da Exame, de preferência em tempo recorde. A maioria tinha acabado de terminar a faculdade, mal tinham experiência profissional e já estavam se matriculando num curso de pós. Parecia que todas as escolhas deles giravam em torno da vida profissional.
Isso fica martelando na minha cabeça até hoje. Não acredito que exista certo ou errado, mas sim escolhas que a gente faz. Mas, afinal, é isso que essa geração quer? Fiquei com um pouco de preguiça do discurso estilo “dinâmica de grupo pra impressionar Donald Trump/Roberto Justus num episódio de 'O Aprendiz'”. Será que produzir, produzir e produzir, é o valor primordial da nossa época? Todas as nossas escolhas devem ter como objetivo final a criação de alguma coisa? E de preferência em tempo recorde? É só isso? Quando foi que o processo ficou mais importante que o objetivo final? Quando foi que a contemplação, a preguiça, o ócio, viraram vilões? Tudo isso é fruto das revoluções industriais? Desculpa aí o momento filosófico, mas pra onde esse estilo fast life de ser está nos levando? Será que as pessoas levam em conta essas perguntas antes de definir suas escolhas? Eu acho que não.
Olha, esse período da licença-maternidade quase me fez PHD em ócio, apesar de todas as várias atividades com o baby. Consegui fazer “nada” com excelência. Sabe assim, ficar olhando o céu, viajar nas possíveis formas das nuvens, olhar meu bebê dormindo e contemplar por contemplar, sem que isso resultasse em mais nada, além do ato em si. Não vai virar um produto, uma teoria, uma ideia ou uma realização qualquer. No máximo, um post! Coisas comuns assim me atraem cada vez mais. Não à toa o nome do blog é ”Por uma Vida mais Ordinária”. Simpatizo muito com o estilo de vida originário do "slow-food", e acredito que ele pode contagiar vários outros aspectos do nosso dia a dia, muito além da comida. E tenho visto sinais de esperança por uma vida melhor, por ser mais devagar, aconchegante, reconfortante, saudável, que permita mais contemplação num ritmo de produção menos industrial. Um desses sinais surgiu semana passada, com a estréia do blog www.elogioapreguica.com.br. Grandes pensadores se reuniram para pensar, contemplar e compartilhar a preguiça, valorizando-a! Adauto Novaes, Maria Rita Kehl, Franklin Leopoldo e Silva e Marilena Chauí, são alguns dos colaboradores do site, que também será uma Conferência sobre o assunto. Nesse caso, vale muito à pena deixar a preguiça de lado e se render aos posts!
52 objetos: semana 40
Há 4 horas


Nossa, que boa dica! Compartilho muito das suas idéias e impressões em geral. Acho que filho tbem é um "projeto para o futuro", um produtinho que a gente desenvolve e tal. Claro que eles não nos pagam rios de dinheiro e nem fazem a nossa carreira deslanchar, mas certamente são projetos para a vida toda! A compensação é que é diferente! Vou lá me render aos posts!
ResponderExcluirBjos,
Camila
www.mamaetaocupada.com.br
Adorei a dica do blog amiga! to viciada alias! mto bom!E meus parabens por nao deixar-se envolver na loucura do dia-a-dia e da competicao de Sampa, coisa para poucos!bjo
ResponderExcluirAaaaaah, que delicia de preguiça!!!!
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