Eu queria ter tido beeemmm mais tempo pra escrever um post cheio de referências bacanas sobre carreira e maternidade, pra contribuir à altura com a blogagem coletiva do Mamatraca. Mas eis que a vida prega das suas e minha semana foi cheia de trabalho. Foi quase impossível conciliar com o blog, mas o trampo acabou,o filho já dormiu e lá vamos nós reunir as anotações realizadas entre um compromisso e outro numa série de bullets soltos sobre algumas coisas que me passam pela cabeça sobre esse tema:
- Maternidade e trabalho sempre foram dois sonhos de menina pra mim. Lembro de brincar de ser mãe e de brincar de trabalhar. Deve ter sido influência da minha mãe, que apesar de ter optado por cuidar exclusivamente de mim até meus três anos, exerceu a profissão de engenheira civil por toda a vida, incluindo nas próximas duas gestações das minhas três irmãs (pausa para explicação: a segunda era gravidez de gêmeas!) e que foram para o berçário logo depois do período de licença maternidade. Nós quatro somos também crias de escola em período integral, porque ela e meu pai precisavam trabalhar. E, não raro, éramos as últimas a ir embora da escola. Disso eu não gostava. Mas nem por isso tive traumas relacionados à maternidade ou à carreira.
- Essa semana, por conta do trabalho, tive a oportunidade de discutir sobre educação infantil com uma jornalista da grande imprensa, vi palestra de Ana Paula Padrão, assisti a Preta Gil mediar uma ação, vi pesquisadores falarem sobre o comportamento da mulher brasileira e tive reunião de planejamento sobre um monte de ações bacanas para o ano. Sabe aquela sensação de: nossa, é por isso que eu gosto de trabalhar....Então... tô energizada porque meu trabalho me proporciona estar em contato com muito assunto bom que me abre a cabeça. E em alguma medida isso é bom pro meu filho, que tem uma mãe mais satisfeita e consequentemente mais feliz.
- Além do trabalho em horário padrão na agência, ainda fui tocar os projetos das clientes da loja virtual que abri com a minha irmã, na tentativa de ter um Plano B nessa vida!
- Pra dar conta dos compromisso da semana, acordei mais cedo que o normal vários dias e fui dormir mais tarde em todos. E, em alguns, tive que deixar o pequeno um pouco mais cedo na escola. E isso não é tão bom. Mas às vezes faz parte. Sem dramas. Segue pro próximo bullet.
- Filho doente. Isso nenhum filho e nenhuma mãe merecem. Pra mim é o auge do sofrimento de uma mãe que trabalha. É quando a gente mais duvida que é possível trabalhar e ter filhos. A gente quase tem certeza de que vai pedir demissão, que não vai dar conta, que vai desabar. Sai mais cedo aqui, entra mais tarde ali, não faz almoço, pego o filho antes, deixa o filho depois, liga duzentas vezes pra escola, checa o celular compulsivamente entre reuniões, compartilha com as amigas que já passaram por isso, pensa no trabalho quando está com o filho e pensa no filho quando está no trabalho. Até que o filho melhora, surge um projeto novo, a rotina se instala e a gente volta a acreditar que é possível alcançar o equilíbrio.
- A verdade é que preciso de trabalho para ser feliz. E depois da maternidade eu fui questionar se fazia o que fazia porque gostava ou por inércia, se era só porque é o que todo mundo deve fazer quando cresce... Ainda estou em fase de acabamento final dessas questões ou da minha resposta para elas. Mas já entendi que trabalho não é só bater cartão da 9h as 18h. Trabalho não é só o que é remunerado. Trabalho pode satisfazer.
- Depois do nascimento do Bê e a revisão de valores que a chegada dele me proporcionou, percebi que não tenho grande necessidades de ascender na carreira. Apesar de ter sido promovida um ano depois de voltar de licença, não conseguiria aceitar a proposta se na rotina eu tivesse horas extras frequentes, viagens constantes ou a manutenção de perrengues repentinos que me tirassem mais tempo do que eu já dedico ao trabalho. Oito horas por dia já é muito mais tempo dedicado ao trabalho do que à família, né? Não me importo de, invariavelmente, atender uma ou outra necessidade fora do horário. Mas se um dia se tornar rotina, não aguento. Flexibilidade é meu novo sonho de consumo.
- Daí, recomendo muito a leitura desse artigo da Anne Marie Slaughter, na The Atlantic, que vale a leitura. Resumindo: ela disseca diversos argumentos que mostram que as mulheres ainda não podem ter tudo e conta como optou por se desligar do cargo de diretora de políticas de planejamento do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em Washington (sendo a primeira mulher a ocupar essa posição), para se dedicar aos filhos, que passavam pela atribulada fase da adolescência.
- E é lendo coisas do tipo que acho mesmo muito difícil uma mulher ser realmente bem sucedida nas duas atribuições. Eu tenho pra mim que não me dedicarei o suficiente à carreira pra me tornar "A" referência. E talvez, embora nesse caso eu ache que me dedico, não tenho pretensões de ser "A" mãe. Ser uma mãe suficientemente boa e uma profissional suficientemente boa tá bom pra mim. O que me rege é que quando estou com o Bê, estou focada nele. E idem para o trabalho.
Se eu concilio maternidade e carreira? Melhor perguntar pro meu filho. Melhor perguntar pra minha chefe.


