sexta-feira, 8 de março de 2013

Carreira e Maternidade: como concilio

 
 
Eu queria ter tido beeemmm mais tempo pra escrever um post cheio de referências bacanas sobre carreira e maternidade, pra contribuir à altura com a blogagem coletiva do Mamatraca. Mas eis que a vida prega das suas e minha semana foi cheia de trabalho. Foi quase impossível conciliar com o blog, mas o trampo acabou,o filho já dormiu e lá vamos nós reunir as anotações realizadas entre um compromisso e outro numa série de bullets soltos sobre algumas coisas que me passam pela cabeça sobre esse tema:
 
- Maternidade e trabalho sempre foram dois sonhos de menina pra mim. Lembro de brincar de ser mãe e de brincar de trabalhar. Deve ter sido influência da minha mãe, que apesar de ter optado por cuidar exclusivamente de mim até meus três anos, exerceu a profissão de engenheira civil por toda a vida, incluindo nas próximas duas gestações das minhas três irmãs (pausa para explicação: a segunda era gravidez de gêmeas!) e que foram para o berçário logo depois do período de licença maternidade. Nós quatro somos também crias de escola em período integral, porque ela e meu pai precisavam trabalhar. E, não raro, éramos as últimas a ir embora da escola. Disso eu não gostava. Mas nem por isso tive traumas relacionados à maternidade ou à carreira.
 
- Essa semana, por conta do trabalho, tive a oportunidade de discutir sobre educação infantil com uma jornalista da grande imprensa, vi palestra de Ana Paula Padrão, assisti a Preta Gil mediar uma ação, vi pesquisadores falarem sobre o comportamento da mulher brasileira e tive reunião de planejamento sobre um monte de ações bacanas para o ano. Sabe aquela sensação de: nossa, é por isso que eu gosto de trabalhar....Então... tô energizada porque meu trabalho me proporciona estar em contato com muito assunto bom que me abre a cabeça. E em alguma medida isso é bom pro meu filho, que tem uma mãe mais satisfeita e consequentemente mais feliz.
 
- Além do trabalho em horário padrão na agência, ainda fui tocar os projetos das clientes da loja virtual que abri com a minha irmã, na tentativa de ter um Plano B nessa vida!
 
- Pra dar conta dos compromisso da semana, acordei mais cedo que o normal vários dias e fui dormir mais tarde em todos. E, em alguns, tive que deixar o pequeno um pouco mais cedo na escola. E isso não é tão bom. Mas às vezes faz parte. Sem dramas. Segue pro próximo bullet.
 
- Filho doente. Isso nenhum filho e nenhuma mãe merecem. Pra mim é o auge do sofrimento de uma mãe que trabalha. É quando a gente mais duvida que é possível trabalhar e ter filhos. A gente quase tem certeza de que vai pedir demissão, que não vai dar conta, que vai desabar. Sai mais cedo aqui, entra mais tarde ali, não faz almoço, pego o filho antes, deixa o filho depois, liga duzentas vezes pra escola, checa o celular compulsivamente entre reuniões, compartilha com as amigas que já passaram por isso, pensa no trabalho quando está com o filho e pensa no filho quando está no trabalho. Até que o filho melhora, surge um projeto novo, a rotina se instala e a gente volta a acreditar que é possível alcançar o equilíbrio.
 
- A verdade é que preciso de trabalho para ser feliz. E depois da maternidade eu fui questionar se fazia o que fazia porque gostava ou por inércia, se era só porque é o que todo mundo deve fazer quando cresce... Ainda estou em fase de acabamento final dessas questões ou da minha resposta para elas. Mas já entendi que trabalho não é só bater cartão da 9h as 18h. Trabalho não é só o que é remunerado. Trabalho pode satisfazer. 
 
- Depois do nascimento do Bê e a revisão de valores que a chegada dele me proporcionou, percebi que não tenho grande necessidades de ascender na carreira. Apesar de ter sido promovida um ano depois de voltar de licença, não conseguiria aceitar a proposta se na rotina eu tivesse horas extras frequentes, viagens constantes ou a manutenção de perrengues repentinos que me tirassem mais tempo do que eu já dedico ao trabalho. Oito horas por dia já é muito mais tempo dedicado ao trabalho do que à família, né? Não me importo de, invariavelmente, atender uma ou outra necessidade fora do horário. Mas se um dia se tornar rotina, não aguento. Flexibilidade é meu novo sonho de consumo.
 
- Daí, recomendo muito a leitura desse artigo da Anne Marie Slaughter, na The Atlantic, que vale a leitura. Resumindo: ela disseca diversos argumentos que mostram que as mulheres ainda não podem ter tudo e conta como optou por se desligar do cargo de diretora de políticas de planejamento do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em Washington (sendo a primeira mulher a ocupar essa posição), para se dedicar aos filhos, que passavam pela atribulada fase da adolescência.
 
- E é lendo coisas do tipo que acho mesmo muito difícil uma mulher ser realmente bem sucedida nas duas atribuições. Eu tenho pra mim que não me dedicarei o suficiente à carreira pra me tornar "A" referência. E talvez, embora nesse caso eu ache que me dedico, não tenho pretensões de ser "A" mãe.  Ser uma mãe suficientemente boa e uma profissional suficientemente boa tá bom pra mim. O que me rege é que quando estou com o Bê, estou focada nele. E idem para o trabalho.
 
Se eu concilio maternidade e carreira? Melhor perguntar pro meu filho. Melhor perguntar pra minha chefe.

 
 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Do novo jornalismo, editado por algorítmos!

Com quase 10 anos de formada, acho meio natural criar um certo ceticismo em relação à profissão que a gente escolheu (no meu caso, a de jornalista). Mas semana passada dei uma atualizada no entusiasmo com a carreira ao assistir um seminário com Pedro Doria (editor executivo de plataformas digitais e colunista do jornal O Globo), Ricardo Gandour (diretor de conteúdo do Grupo Estado), Sérgio Dávila (editor executivo da Folha de S.Paulo) e Vera Brandimarte (diretora de redação do Valor Econômico), moderado por Miguel Jorge, ex-ministro do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio Exterior. Era sobre os Caminhos da sustentabilidade: como as novas tecnologias estão impactando o modelo de negócios na imprensa, o fazer jornalístico e o relacionamento com o mundo empresarial.
A coisa toda acabou mais em torno de como os jornais sobreviverão às plataformas digitais e ficou bem claro que o papel do jornalismo é levar conteúdo. O meio pouco importa. Sergio Dávila citou o Nicholas Negroponte, numa máxima que resume bem o cenário: “sobreviverão os veículos que não se comportarem como transportadores de átomos”. Como o usuário paga por esse conteúdo nos meios digitais é a pergunta que eles estão se fazendo. Mas não é sobre isso que eu queria falar. Eu queria falar sobre como eu saí de lá mais confiante da importância do jornalismo pra mim e pra sociedade em geral.
 
Eu sou do tipo cada vez mais raro que ainda gosta de ler jornal, aquele físico, que suja as mãos mesmo. Sou assinante e gosto da expectativa do jornal chegando em casa. Um tempo atrás, lendo uma notícia qualquer sobre algo que eu jamais havia ouvido falar, me bateu essa consciência de que sem o jornalismo talvez eu não tivesse chegado àquela informação. Ler jornal pra mim é meio como viajar. A gente tem uma ideia do que vai encontrar, mas sempre se surpreende com algo que não sabia antes. Pelo menos é isso que espero de um bom jornal.
 
E eu sinceramente não sei se coneguiria acessar esse tipo de informação sem a ajuda dos profissionais que olham o que está acontecendo aí no mundo e selecionam o que há de relevante e conseguem fazer isso com profissionalismo, porque é isso que eles fazem de suas vidas, ainda que com todas as chances de erro próprias do ser humano. As eleições na Itália, a volta de Steven Madden ao mercado de sapatos pós-prisão, o último dia de Yoni Sánchez no Brasil, a simulação de custos do táxi X carro próprio e até ferramentas para enfrentar o Apocalipse! Todos esses temas foram notícias de hoje só na Folha de S.Paulo. E não fosse o jornalismo, não acredito que eu teria procurado saber algo específico sobre esses assuntos na internet.
 
E é a internet que me leva para o ponto seguinte da reflexão que ficou martelando na minha cabeça, pós-seminário. É que quando ela surgiu, trouxe a promessa de todo o conhecimento reunido sempre à disposição, a um clique de você. Mas curiosamente, de lá pra cá o que a gente vê por aí é menos uma sociedade mais livre e inteligente e mais o reforço dos nossos próprios conceitos e preconceitos, por meio da “edição por algoritmos”, como disse Pedro Doria. Então, seu computador se torna inteligente, se acostuma com suas preferências de busca e traz resultados que possam te interessar, sempre dentro desses temas. As ferramentas de pesquisa e as redes sociais fazem isso muitíssimo bem, o que é ótimo pra quem te um interesse específico. Mas no geral, será que a tendência não é a gente “ler mais do mesmo”, porque “nos inclinamos a procurar apenas o que confirma nossa opinião”, como bem disse o Pedro?
 
E a preocupação dele, que passou a ser minha também, é que isso acaba gerando apenas uma polarização de ideias que não leva a discussão, nem à livre circulação de ideias, mas ao extremismo. Vamos reconfirmando nossas preferências e reafirmando nossos ideais com as notícias sugeridas em sinergia às nossas pesquisas anteriores. Nos fechamos em grupos que pensam parecido. E reduzimos nossas possibilidades de conhecer algo mais. E passamos a não ouvir quem tem opiniões diferentes. Adotamos apenas o preto e o branco e acabamos por ignorar toda uma gama de cinzas, que vão muito além dos 50 tons... 
 
E o debate, a troca de ideias...ah...isso era tudo o que eu mais gostava quando escolhi o jornalismo como profissão!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Do trabalho e suas (boas) consequências

Eu costumo dizer que uma das melhores consequências do trabalho é conhecer pessoas  completamente diferentes da gente e gostar delas. O trabalho é um sinalizador dos meus preconceitos. Então, talvez não haja evolução espiritual pra mim quando eu ganhar na megasena!
O caso recente é que uma das meninas que trabalha comigo seria alvo do meu desprezo, se suas preferências de entretenimento fossem apresentadas a mim sem nenhuma outra referência. Brinco que jamais seria sua amiga se não a conhecesse nesse ambiente corporativo. E ela ri, porque sabe que isso não é uma ofensa, mas uma confissão da minha prepotência. Conseguimos desvirtuar o politicamente correto.
E eu digo que acharia que ela era burra e sem conteúdo só porque gosta de funk, pagode e samba. Daqueles bem comerciais. E porque frequenta quadra de escola de samba. E é viciada em BBB. E é leitora voraz de livros do estilo de Nicholas Sparks. Mas na verdade ela é muito inteligente, perspicaz e ágil. Com 25 anos, é muito madura nas atitudes, do tipo que lê nas entrelinhas e parece saber sempre o momento certo de agir. E faz cada trança de dar inveja, quando eu mal consigo prender meu cabelo com um rabo de cavalo. Curiosamente, sem saber, ela foi uma das pessoas que me deu segurança para aceitar a promoção no trabalho. Tudo porque transmitia uma serenidade e bom-humor ao lidar com os perrengues do dia a dia. E assim, fez com que eu também confiasse que poderia lidar com aquele novo desafio.
Hoje, sem ela, minha vida no trabalho ficaria de cabeça pra baixo, porque ela é muito comprometida e eficiente. E sem ela eu não teria tido a chance de me admirar com a organização das escolas de samba, do ponto de vista de gestão, que ela detalhou como funciona. E eu, que sempre detestei carnaval, não teria me pego em frente à TV no feriadão, assistindo ao desfile da escola de samba que ela participa, torcendo muito e comemorando na apuração dos resultados, muito ansiosa. Águias de Ouro ficou em terceiro lugar, mas moralmente ganhou, porque se não tivesse ultrapassado o tempo em um minuto, estaria muito à frente das demais! E eu torci, torci, torci.  Porque a gente veio ao mundo pra cuspir pra cima e cair na testa! E quem sabe ano que vem eu não desfilo?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Muito Além do Peso

Ok, já existem mil posts sobre esse documentário Muito Além do Peso. Mas como ele trata da obesidade, que é a maior epidemia infantil da história, nenhum post a mais pode ser considerado excessivo.
  • Fiquei horrorizada com os números alarmantes de doenças de adultos em crianças.
  • Assustador que 56% das crianças com menos de um ano já experimentaram refrigerante.
  • E dois terços das crianças têm sobrepeso!
  • Pasmei com a eficiência da indústria para levar esses produtos às regiões mais remotas.
  • Reforcei a minha tese de que propaganda infantil deve ser proibida.
  • Fiquei quase feliz por meu filho frequentar uma escola em tempo integral e assim brincar mais.
  • Me debulhei em lágrimas com a menininha que disse que não falta comida em casa, mas "falta sentido".
  • Me encantei ainda mais com as causas e a determinação de Jamie Oliver.
  • E me entristeci muito por ver que a relação das famílias com a comida está tão empobrecida!  
Comer é uma das maravilhas do mundo. Mas isso eu só entendi depois de passar por uma reeducação alimentar que foi definitiva na minha vida (mas isso é assunto pra outro post). Por que comer é também educação, como bem descreveu a Rosely Sayão na Folha de S.Paulo dessa semana. Eu tenho muito essa sensação de pertencimento que ela cita no texto quando lembro da minha mãe cozinhando, dos almoços de domingo, das festas de aniversário que ela preparava, fazendo tudo em casa. Ninguém era xiita, mas refrigerante, salgadinho, bolacha, etc sempre foram exceções. Hoje, eu sei cozinhar, mas ela nunca me ensinou diretamente. Aprendi da maneira que acho que deve ser todo tipo de aprendizado: aquele que a gente nem mesmo percebe. Quando vai ver aconteceu. E isso, provavelmente, só por ter estado perto dela enquanto ela estava na cozinha. Não sou nenhuma chef de cozinha e nem tenho pretensões. Mas curto fazer uma coisa ou outra sempre que dá. Também adoro comer à mesa, sem televisão, com todo mundo junto, onde um só levanta quando todo mundo acabou. Mas gosto principalmente daquelas refeições onde ninguém nem quer se levantar. E nem é pela comida, sabe!?

Sem fazer disso uma metodologia, mas agindo com a naturalidade de quem abre a geladeira da própria casa, tenho aproveitado esses momentos em que cozinho para colocar em prática o mote desse blog, que tem virado meu propósito de vida, de viver "uma vida mais ordinaria". Apresentar os alimentos pro Bernardo. Deixar ele me ajudar a pegar os itens. Nomear os utensílios. Mostrar a ele que com o forno, fogo e faca só eu mexo. Fazer um fogãozinho de mentira pra ele cozinhar comigo. Deixar ele colocar a mesa comigo. Agradecer por ele ter feito uma comida tão boa! Pra mim, a educação vem desses momentos. E isso é único e pra vida inteira. Não está disposto em nenhuma embalagem metalizada por aí...!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Sem sintonia com o desfralde!

Chegou pra mim aquele momento em que você acha que não está na mesma sintonia dos pais dos amiguinhos da escola do seu filho. Depois da reunião de apresentação dos professores, da metodologia, dos desafios para o ano, etc, etc, etc, lá vão os pais em bando sabatinar a nova professora. A cena é quase assustadora: ela ao centro, acuada por uma rodinha de pais que não a deixa escapar. Fico aflita por ela.

São realmente muitas perguntas a fazer, porque a fase é de muita mudança. A turma completa dois anos até o final do primeiro semestre. E agora vão para a unidade "dos grandes", com muito mais espaço e com mais desafios. A rotina de horários muda. O cardápio também. As exigências de "material escolar" idem. Fora os professores, já que a maioria é diferente do que os que eles conheciam. É viver num cenário diferente, com personagens diferentes e enredo diferente. Se nós estamos aflitos, imagine as crianças? E minhas dúvidas giravam basicamente ao redor dessas questões.

Até que colocaram em debate o desfralde das crianças. E é lógico que a dúvida é válida! Muito. Mas o que me deixou perplexa foi a maneira como o assunto foi conduzido. Porque havia uma tensão no ar. Só faltou falar: está no calendário escolar a data de início do desfralde das crianças? A escola faz essa transição mais fácil, né? Teremos um "momento" para isso?

Confesso que eu não havia pensado muito nesse tema. E embora ache realmente uma fase importante, não vejo toda essa urgência. E os questionamentos me fizeram sentir como se dissessem: vocês já aplicam teste vocacional para dividir as salas em humanas, exatas ou biológicas? Juro. Posso soar exagerada (e devo ser mesmo, confesso, pois pelo que pesquisei depois do episódio, a maioria do povo parece pensar no assunto quando o filho tem essa idade mesmo...), mas achei de uma antecipação atordoante. De uma ansiedade agoniante. E de uma falta de delicadeza com o tempo de cada criança. Detesto soluções em combo quando se trata de educação de filho.

Em compensação, a professora me deu a certeza de que eles estão focados no bem-estar da criança em primeiro lugar e não em atender apressadamente às exigências dos pais, validando novamente minha escolha pela escola. Foi certeira: “primeiro eu preciso conhecê-los, a gente precisa se adaptar a essa nova realidade e conhecendo um a um veremos a hora certa de cada criança, o que só deve acontecer depois do segundo semestre”. Ufa.

Até lá, sigo me questionando: será que só eu acho muito precipitada essa necessidade do desfralde aos dois anos exatos? Ou viajei e perdi o timing da coisa? Qual o problema de esperar mais um pouco? Qual a melhor maneira de realizar a transição? Porque esse é um momento tão aflitivo para os pais? Porque eu tenho a sensação de que os pais arrumam sarna pra se coçar, pra reclamar dos filhos, sofrer com os desfralde precoce e ter motivo pra reclamar do quanto é difícil educar?







sábado, 19 de janeiro de 2013

Dois anos de Bernardo

Hoje, dois anos me separam da pessoa que eu fui durante a maior parte da vida. Muita gente questiona o que muda depois que a gente vira mãe e provavelmente há várias melhores metáforas sobre o tema. Mas pra mim é como imaginar a vida sem internet. Eu sei que eu vivia, mas é surreal imaginar como era possível! Não há parâmetros para mensurar o quanto tudo fica melhor, mais completo e com mais sentido. E é a partir daí que a gente se dá conta de que vive num compulsivo modo clichê, nos quais frases óbvias e meladas (como a anterior), passam a ser ditas e escritas obsessivamente, sem nenhuma vergonha na cara.
Mas é que é verdade. No meu caso, há dois anos eu consigo perceber que estou sendo feliz. E aqui o gerúndio é válido, porque eu percebo isso sempre no exato momento em que vivo. E a felicidade não acaba. E isso nunca foi possível de acontecer antes do meu filho nascer. A felicidade sempre esteve lá, no último feriado, na última viagem, num livro antigo, num momento perdido. Antes de você, eu tinha noção de que eu era feliz, mas isso só ao considerar a somatória das partes felizes da minha vida. Agora não. Sou feliz já. Nesse segundo e no segundo em que você terminar de ler este post e no próximo, no próximo e no seguinte. Sempre nesse instante. Sou feliz porque você nasceu. Porque você dorme. Porque come. Porque acorda. Porque é lindo ao sorrir e ao chorar também. E tem um cheirinho bom. E se encaixa no meu ombro de uma forma aconchegantemente ergonômica, e aí eu tenho certeza de que não há outro lugar no mundo onde eu queria estar. E também porque acabou de aprender as cores. E porque é muito simprático e levado. E porque diz a todo instante "não, bigada", "poifavoire" e "censa" numa educação britânica. E porque me chama de “pincesa”. Porque tem saúde. Porque já busca a independência. Porque busca meu colo. E porque eu posso te confortar.
Eu acredito que isso deve mudar. Não o meu amor. Isso, jamais. Mas não sei até quando vai ser assim tão, tão... Porque acho que estou na infância da maternidade, onde tudo é muito intenso, cheio de primeiras vezes, carregadas de emoção. Uma hora ameniza. Ou a gente acostuma? Ou vai ser sempre assim. Eu acho mesmo que isso deve mudar e amadurecer como tudo. Mas também tenho uma intuição de que esse é o período da minha vida para o qual eu sempre vou querer voltar.
Por isso e por tudo o mais: obrigada, filho. E PARABÉNS pelos seus dois anos de vida.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

2012 / 2013 - O Post

Eu não sei por que a gente abandona projetos, sonhos, hábitos, amigos, ideias ou mesmo blogs, principalmente quando não tem a intenção. Fica a inquietação pra 2013. Nessa virada de ano, diferente do que costuma acontecer comigo, não tive a sensação de que acabou. Embora eu ame essa imagem de ter um ano novinho pela frente, cheio de oportunidades de realizações e surpresas, dessa vez parece que está apenas continuando....como racionalmente é, né? Mas ainda não abandonei 2012. Deve ser porque durante a virada eu não consegui ter aquele momento reflexivo, mentalizando boas energias e tendo aquele flashback clássico do ano que se foi. Fiquei com o Bernardo agarrado no meu colo, morrendo de medo do espetáculo de fogos da Praia de Copacabana, pedindo agoniado: "canta muca, mamãe" (traduzindo: canta uma música, mamãe!), pra se distrair do barulho!

Mas como 2012 foi sensacional, não tô achando nada ruim ter essa continuidade em 2013! Por isso, vou cair na tentação de fazer um inventário do ano que passou:

• Foi o ano em que meu filho completou um ano. E viveu 2012 inteiro no esquema "pediatra-free", já que o bichinho não teve praticamente (TOC, TOC, TOC, bate na madeira três vezes) NADA!

• Ele começou o ano como um bebê de colo tranquilo e risonho e terminou como um bebê hiperativo e mandão, me chamando de "pincesa" depois de eu ter me produzido pra festa do reveillon.

• Foi o ano em que me arrisquei em aulas de francês para viagem. Mas que deixou muita vontade de seguir com um curso mais sério.

• Em 2012 virei chefe. Fui promovida quando eu menos esperava. E tive ótimos feedbacks de gente que trabalhou comigo.

• Eu confiei muito na minha intuição e nos meus valores e por isso tomei decisões muito mais acertadas.

• Eu fiquei longe do meu filho pela primeira vez, por duas semanas. Mas valeu à pena, porque eu e marido tivemos a chance de curtir Londres e Paris a dois. E de quebra, visitar uma amiga querida!

• Tirei do papel meu Plano B, que é a minha loja Eureka, que embora ainda não dê o lucro desejado, dá uma satisfação imensa e me mostra que sim, é possível realizar sonhos e projetos.

• Curiosamente, ter um plano B me tornou mais produtiva e criativa no meu Plano A, que é o que me sustenta por enquanto.

• Foi mais um ano em que mantive o peso em dia e percebi que consegui me reeducar na alimentação e manter um ritmo de exercício físico, que pretendo aumentar em 2013.

• Pude parar pra pensar o que eu quero da minha vida profissional e tive ajuda de sessões de coaching sensacionais que me tiraram da inércia pra me colocar como protagonista da minha carreira.

• Meu pior balanço do ano foi me dar conta de que vi muito pouco os meus amigos. Entre “vamos marcar alguma coisa” e “precisamos nos ver”, 2012 ria da minha cara. Não pretendo que isso aconteça em 2013.

• Também não queria abandonar o blog. E vou tentar ser mais assídua e disciplinada em manter esse espaço atualizado.

Enfim, olhar para o passado para compreender o presente e delinear o futuro! Vamos que vamos 2013 (ainda que um pouco atrasada!).